O que é IST e qual a diferença para uma DST?

A sigla IST refere-se às chamadas Infecções Sexualmente Transmissíveis. Há quase uma década, o termo foi adotado para substituir a denominação DST, que fazia referência às chamadas Doenças Sexualmente Transmissíveis. De maneira geral, ambas as terminologias englobam o mesmo grupo de diagnóstico, aqueles que são transmitidos, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal ou anal) sem o uso de preservativo interno ou externo, com uma pessoa que esteja infectada. A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação e, de maneira menos comum, também podem ser transmitidas por meio não sexual, pelo contato de mucosas ou pele não íntegra com secreções corporais contaminadas.

Por que agora falamos IST?

O termo DST caiu em desuso porque a denominação D, que significa “doença”, obrigatoriamente implica a manifestação de sintomas e sinais visíveis no organismo do indivíduo. No caso das infecções, representadas pelo I da nova sigla, elas podem ser causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos e não apresentarem evidência clínica, tendo períodos assintomáticos – o que geralmente acontece com a sífilis, herpes genital ou condiloma acuminado, por exemplo – ou permanecendo assintomáticas ao longo da vida do indivíduo – nos casos da infecção pelo HPV e vírus do Herpes -, além de serem detectadas exclusivamente por meio de exames laboratoriais.

No episódio #2 do podcast Bolando com Cuidado, que aborda a prevenção combinada do HIV, Rafael Koshi, enfermeiro com especialização em Saúde Coletiva e enfermeiro do estudo PrEP 15-19, também explica a mudança da nomenclatura. “É uma questão de inclusão, porque para se estabelecer uma doença precisa de sinais e sintomas, pensando em sexualmente transmissíveis nem toda a doença já vai começar com algum sinal ou sintoma”. A adoção da nova nomenclatura permite um diálogo com a população sobre os cuidados e estratégias de prevenção, que vão além de olhar os sintomas.

Sendo assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tornou oficial o uso do termo “infecção” no lugar de “doenças” nesses casos. Oficialmente no Brasil, a mudança de nomenclatura ocorreu em novembro de 2016, quando o setor responsável pelo assunto no Ministério da Saúde passou a ser chamado “Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais”. A alteração fez parte de um decreto assinado pelo então presidente da República, Michel Temer.

Quais são as principais infecções sexualmente transmissíveis?

Existem diversos tipos de infecções sexualmente transmissíveis, mas segundo o Ministério da Saúde, os exemplos mais conhecidos são:

  • Herpes genital;
  • Cancro mole (cancroide);
  • HPV;
  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP);
  • Donovanose;
  • Gonorreia e infecção por Clamídia;
  • Linfogranuloma venéreo (LGV);
  • Sífilis;
  • Infecção pelo HTLV;
  • Infecção pelo HIV
  • Hepatites virais B e C
  • Tricomoníase.

Redução de Danos e prevenção combinada

A prevenção combinada é um conjunto de abordagens e estratégias que são utilizadas para ofertar possibilidades de cuidado e prevenção às ISTs, ao HIV/Aids e às hepatites virais. As estratégias propõem diferentes abordagens que vão desde a redução do risco de exposição ao vírus, por exemplo, com o uso de preservativos, profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP) até a oferta de informações para que cada pessoa possa pensar em estratégias de cuidado dentro do próprio contexto para evitar situações de risco.

Neste âmbito, as ações de redução de danos estão voltadas, principalmente, às pessoas que usam álcool e outras drogas, silicone líquido industrial e hormônios. O objetivo é evitar a transmissão, promover a melhoria da qualidade de vida e garantir o acesso à saúde. As ações podem variar desde a oferta de insumos para prevenir a transmissão sexual ou parenteral, por meio de intervenções comportamentais, até intervenções estruturais relacionadas à redução do estigma, de iniquidades e de barreiras de acesso à saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, as pessoas que usam álcool e outras drogas, independente do padrão de uso, são uma população desproporcionalmente afetada pelas ISTs, pelo HIV/Aids e pelas hepatites virais, seja em relação ao risco de exposição sexual ou pelo compartilhamento de objetos para uso de drogas. Além disso, o uso de drogas é uma prática encontrada em todas as demais populações-chave e prioritárias para o HIV, outras ISTs e as hepatites virais.

Foto cabeçalho: Luiz F. Petty

Texto: Barbara Novaes