As pessoas que usam os serviços de saúde são, em certa medida, parceiras das trabalhadoras e trabalhadores que atuam nestes equipamentos. Tanto quem vai aos equipamentos em busca de atendimento quanto profissionais que prestam esse serviço desejam e trabalham em conjunto por um atendimento humanizado e compreensivo, sendo assim capazes de superar as eventuais dificuldades que surgem nos momentos de atendimento.

É a partir dessa constatação que o Centro de Convivência É de Lei organizou a cartilha Às Margens: de ponta a ponta.

Realizamos encontros para ouvir ambos os grupos, usuários/as e trabalhadores/as, a fim de entender o que todos/as têm a dizer sobre suas dificuldades de acessar os serviços da rede pública e prestar um bom atendimento.

O conteúdo dessa interação resulta neste material, destinado a todas as pessoas que prezam pela qualidade do SUS. Num formato simples e direto, a cartilha pretende mostrar de que forma é possível alcançar uma melhor condição de convivência entre as pessoas que se encontram nestes espaços e, dessa forma, tirar proveito de um ambiente mais

humanizado e seguro.

A proposta de escrever o que foi dito e defendido por quem tem um lugar estigmatizado sugere um novo tipo de produção, valorizando a experiência de uso dos equipamentos de saúde e assistência social pela população e construindo novos referenciais de atendimento em saúde.

Assim, esperamos ampliar e reforçar as bases de uma vida menos bruta, violenta e injusta. A construção conjunta desse material nos permite pensar em como a Redução de Danos pode produzir ferramentas para desenvolver novas formas de cuidar, ampliando a noção da pessoa que é atendida para além do seu uso de drogas ou sua condição social e produzindo novas relações da sociedade com quem faz o uso.